“Todo mundo gostaria de se mudar para um lugar mágico. Mas são poucos os que tem coragem de tentar” - Rubem Alves

 

Olá, pessoal!

Se pararmos para pensar no significado da palavra invisível, logo virá à nossa cabeça: “aquilo que não conseguimos ver, que é imperceptível, que está ausente, oculto ou escondido”, não é mesmo?
Relacionando o termo com a literatura infantil, convido vocês a pensarem se é possível, a partir das histórias, tornar visível o invisível. Vamos tentar?

Ao contarmos uma história para uma criança, damos a ela a possibilidade de imaginar, durante a leitura, algo que não está visível. Ou seja, a partir da narrativa nossos pequenos criam imagens em suas mentes ouvindo o que falamos, cenas que vão muito além das ilustrações encontradas nos livros.

 

Realize uma leitura afetuosa e a tempere com muito carinho

Daí a importância de realizarmos uma leitura de forma carinhosa e afetuosa. Isso quer dizer:

  • ler pausadamente, sem pressa e com entonação;
  • se houver falas dos personagens, procurar dar vida a cada um deles fazendo diferentes vozes;
  • entre uma página e outra, olhar nos olhos da criança que está nos ouvindo, para que se sinta importante e pertencente àquele momento de contação.

E será assim, como num passe de mágica, que as crianças conseguirão visualizar, de maneira espontânea, muito além do que o texto mostra. Ao escutar uma história, ela se deixa envolver por “[...] sentimentos, sensações e imagens, os quais permitem que as palavras se tornem ilustrações [...]” (COSSON; SOUZA, 2010, p.104) em sua mente.

É deste modo que a literatura infantil consegue tocar a criança, possibilitando não apenas que ela veja o invisível, como também que tenha contato com os cinco sentidos: a visão, o paladar, o olfato, a audição e o tato.

Mas os cinco sentidos estão presentes na literatura infantil?

Vou dar alguns exemplos a partir dos Clássicos Literários, pois são histórias que a maioria de nós já conhece muito bem. Tentem então recordar a sua infância e observem:

Na história de “João e Maria”, nossa imaginação era capaz de nos fazer sentir o gosto dos doces deliciosos que compõe a construção da casa da bruxa. Olha aí o sentido do paladar!

Em a “Bela Adormecida”, sentíamos até a dor no dedo, no momento em que a princesa Aurora o espeta no fuso de fiar que a faz dormir por cem anos. Está presente aí o tato!

Já a audição, percebíamos claramente na narrativa da “Rapunzel”, quando éramos capazes até mesmo de ouvir as belas músicas cantadas pela personagem, por meio da nossa imaginação.

O olfato se fazia presente no momento em que “Cachinhos Dourados” conseguia nos fazer imaginar o cheiro do delicioso mingau preparado pelos três ursos, uma vez que o odor era tão bom que a menina não resistiu, e experimentou  cada um deles.

Por fim, o sentido da visão aparece na narrativa da “Branca de Neve”, principalmente ao imaginarmos a transformação da madrasta em um bruxa, quando se preparava para seduzir a princesa com um cesto de maçãs envenenadas.

Dentro desse contexto, podemos observar que os elementos que fazem com que uma história se torne significativa para uma criança são os meios que proporcionamos a elas para ampliar suas visualizações. Até porque, quando lemos com prazer e de forma tranquila, permitimos que criem espontaneamente imagens e sentidos pessoais para o texto.

O lugar mágico

Precisamos então, a partir dos momentos de contação de histórias, possibilitar o aprimoramento de bons sentimentos e a descoberta dos cinco sentidos aos nossos filhos, netas, sobrinhos, alunas... Pois, quem conta um conto não somente dá asas à imaginação, como também contribui para a formação literária e humana das nossas crianças.

O escritor Rubem Alves disse: “Todo mundo gostaria de se mudar para um lugar mágico. Mas são poucos os que tem coragem de tentar”. Se concordarmos com ele, podemos concluir que o melhor caminho para nos levar a esse ambiente de magia talvez seja a literatura infantil. Afinal, ela é capaz de tornar visível o invisível!

Um forte abraço e até a próxima!

Janayna

 

Referências:

Alves, Rubem. 300 pílulas de sabedoria. São Paulo: Planeta, 2015.
COSSON, Rildo; SOUZA, Renata Junqueira de. Letramento literário: uma proposta para a sala de aula. UNESP, Agosto-2011. Disponível AQUI.

 

 

Postagem anterior Postagem seguinte