“Não deixe sua língua presa! Solte-a para contar narrativas interessantes e capazes de aguçar a imaginação das crianças.”

 

Olá, pessoal!

 

Qual é o primeiro pensamento que vem à cabeça de vocês quando alguém ou nós mesmos dizemos essa expressão: "Ah! Língua!"? Aquela “língua grande”, quando nos referimos a uma pessoa “fofoqueira”. A tal língua solta que representa as pessoas que falam pelos “cotovelos”, falam demais. Ou aquele que nunca consegue guardar um segredo e dá com a “língua nos dentes”.

Mas por que estou falando sobre a língua nessa nossa conversa de hoje? Vou lhes contar.
Certo dia, eu estava lendo um livro de contos intitulado “Do Bobo da Corte ao Marqueteiro”, de autoria de uma exímia contadora de histórias, quando me deparei com uma pequena narrativa de nome “A Língua”. O título me chamou muito a atenção, afinal a língua pode ter variados significados.

A língua e seus significados

Ao pensarmos na palavra 'língua', muitas coisas nos vêm ao pensamento:
- a nossa língua materna, o português;
- os elementos que compõem a linguagem falada e escrita de determinado idioma, como o inglês, o francês, o português, o espanhol, o alemão, entre outros;
- o órgão do sentido, localizado no interior da boca e responsável pela percepção dos sabores, além de auxiliar na mastigação;
- uma disciplina integrante do currículo das escolas: a Língua Portuguesa;
- e até mesmo um delicioso chocolate chamado língua de gato ou uma brincadeira de criança de nome trava-língua!

Assim, antes de ler o conto, imaginei várias coisas, mas na realidade o que eu queria saber mesmo era do que se tratava aquela narrativa. Bem, acho que vocês até já devem estar curiosos para saber a história, então aí vai!

A Língua

recontada por Gislayne Avelar Matos

Um senhor de muitas posses chamou seu servo e, à maneira de certos senhores de “muitas posses”, ordenou-lhe com ares de superioridade:
- Traga-me do açougue o melhor bocado de carne que encontrares.
O servo foi e trouxe consigo uma língua.
Alguns dias depois, o senhor novamente ordenou ao servo que fosse ao açougue e, dessa vez, trouxesse o bocado de carne mais ordinário que pudesse encontrar.
O servo, também dessa vez, trouxe uma língua. O senhor, que era um homem apenas de muitas posses, ficou enfurecido com o servo e disse-lhe:
- Mas, então, para qualquer recomendação que dou, traz-me sempre uma língua?
O servo, que era um homem de pouquíssimas posses, mas de muita sabedoria, respondeu:
- A língua, meu senhor, é o melhor pedaço, quando usada com bondade e sabedoria, e de todos o pior, quando usada com arrogância e maledicência.

Pois bem, esse conto de origem oriental faz parte da tradição judaica e tem muito a nos ensinar, não acham?
Ele nos mostra o poder das palavras, o poder da língua. Deixando claro que a palavra pode ser usada tanto para transmitir o que é bom, quanto para passar o que é ruim. Tudo depende da forma que usamos a língua: se com cuidado e afeto ela é capaz de tocar o coração das pessoas; se com grosseria e desrespeito corremos o risco de magoar e despertar sensações desconfortáveis naqueles que nos cercam.

A língua e a literatura infantil

Então, associando este tema à literatura infantil podemos perceber que o contato com as histórias é capaz de auxiliar as crianças a organizarem sua linha de pensamento. Prova disso é que ao escutarem as narrativas, nossos pequenos observam atitudes corretas e erradas e vão sendo preparados, pouco a pouco, para fazerem suas próprias escolhas.
Assim, o conto “A Língua” vem para nos ajudar a pensar em nosso papel enquanto contadores de histórias junto às crianças.
- Como estamos usando a nossa língua?
- Que importância temos dado às histórias?
- Estamos dedicando um “tempinho” do nosso dia para contar histórias aos nossos pequenos?
Agora é a sua vez, portanto: não deixe sua língua presa! Solte-a para contar narrativas interessantes e capazes de aguçar a imaginação das crianças. Afinal, o que mais desejamos é que nossos filhos, nossas netas, nossos sobrinhos, nossas alunas possam construir suas histórias de vida refletindo antes de falar, pois somente assim o uso da língua lhes trará um “bocado” de felicidade!

Um grande abraço e até a próxima!

Janayna.

 

Referências:
MATOS, Gislayne Avelar. Do bobo da corte ao marqueteiro. Divinópolis: Gulliver Editora, 2018.

 

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