““...boas leituras devem favorecer conexões entre o imaginário e o real. E boas escolhas devem ser capazes de ampliar a visão de mundo de nossas crianças!”

 

Olá, pessoal!

Em nossa conversa de hoje, vamos falar sobre a escolha dos textos de literatura infantil, ou seja, o que devemos ler para nossas crianças. O objetivo é proporcionar a elas, durante as leituras, momentos significativos e prazerosos capazes de trazer novos conhecimentos e aprendizagens que serão úteis ao longo de suas vidas.

A professora Patrícia Corsino, da UFRJ, faz uma importante afirmação com a qual concordo plenamente: “Um bom texto de literatura interessa não só às crianças, como também aos jovens e adultos” (2010, p.189). Se a história contida no livro de literatura é interessante, significa que ele é capaz de trazer conhecimento e alegria, tanto para uma criança, quanto para um jovem, um adulto ou um idoso.

Então, quando um adulto lê para uma criança, já fez uma escolha, ao selecionar um livro que o agrada, por mais que tenha pensado primeiro, claro, em quem irá ouvir a história.

Mas que tipo de livro devemos escolher? Como fazer isso?

Em primeiro lugar, precisamos saber que o tamanho do texto não reflete a sua qualidade. Nós temos uma tendência de qualificar textos longos como apropriados e os menores como inadequados, imaginando que esses têm poucas informações. No entanto, alguns livros pequenos são ótimos e outros grandes podem “deixar a desejar”.

Não é, portanto, o tamanho do texto que determina sua qualidade. Mas sim o seu enredo, o seu tema.

Antes da escolha do livro, é preciso pensar a quem a leitura se destina: ao seu filho? À sua neta? Às suas alunas e alunos? Quantos anos têm a criança?

Em seguida, devemos nos perguntar sobre quais seriam os interesses dos nossos ouvintes. Interessam-se por animais? Dinossauros, quem sabe? Contos de fadas? Príncipes ou princesas? Games? Aventuras? Viagens? Escola? Quais temas chamariam a sua atenção? Sobre quais temáticas precisamos conversar com eles? Dor, tristeza, perdas, amizade, solidariedade?

Também é importante verificar a linguagem textual e as ilustrações contidas. A linguagem é interessante? Está adequada? As ilustrações chamam a atenção? Aguçam a imaginação?

Assim, o primeiro passo é pensar no seu público e em sua faixa etária. Já o segundo passo é refletir sobre a temática do texto com base nos interesses desse público. Em um terceiro momento, devemos pensar na linguagem textual e em suas ilustrações.

Quando falamos em escolher um livro para contar a uma criança, isso significa pensar nesse sujeito que ouvirá a história, bem como na qualidade da produção literária que será apresentada a ela.

Com relação à temática trazida pelo livro, o que a tornará interessante ou não será principalmente a forma como nós, adultos, trabalharemos o assunto junto à criança.

Quando lemos uma história com alegria e entonação, fazendo, por exemplo, diferentes vozes para cada personagem ou vários barulhos para discriminar objetos e acontecimentos, estamos trabalhando não somente a polifonia, mas também dando vida ao texto e, principalmente, permitindo que nossos pequenos tenham a chance de interagir com a narrativa.

Quando convidamos a criança a repetir uma parte do texto, ou quando a incentivamos a cantar uma música que faz parte da história, colaboramos para a construção de novos saberes a partir da exploração lúdica da história.

Para tanto, se boas leituras dependem de boas escolhas, é importante termos em mente que:

Quanto mais polifônicos forem o tratamento do tema, a complexidade do enredo, o desenvolvimento do conflito, a construção dos personagens, a possibilidade de fruição estética e o distanciamento do senso comum, melhor pode ser considerado o texto (CORSINO, 2010, p. 192).

Ao falarmos em distanciamento do senso comum, isso significa dar à criança a oportunidade de ir além da forma como todos pensam, garantindo a ela a chance de tirar as suas próprias conclusões. Exemplo disso é estimular as falas espontâneas sobre o que entenderam a respeito da narrativa, depois da contação da história, e não simplesmente colocarmos a nossa posição.

E será somente a partir de temas mais complexos, com múltiplas reflexões, que nossas crianças serão preparadas para entender os conflitos que surgem durante a história. Elas poderão pensar sobre as atitudes dos personagens e tudo o que envolve a trama, relacionando ou não com o seu dia a dia.

Afinal, boas leituras devem favorecer conexões entre o imaginário e o real. E boas escolhas devem ser capazes de ampliar a visão de mundo de nossas crianças! Não é mesmo?

 

Um forte abraço e até a próxima!

Janayna

 

Referências: 

CORSINO, Patrícia.  Literatura na educação infantil: possibilidades e ampliações. In: Paiva, Aparecida; Maciel, Francisca; Cosson, Rildo (Coord.) Literatura: ensino fundamental. Brasília: MEC/SEB, 2010.

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