Olá, pessoal!

Em nosso último encontro, conversamos sobre o papel do brincar na vida da criança pequena e suas relações com a Literatura Infantil. Falamos também dos benefícios que tais atividades são capazes de trazer para o desenvolvimento das potencialidades infantis.

Que tal agora tratarmos um pouco sobre a relação entre o brincar e o “faz de conta”?

A ênfase desta conversa será no “faz de conta”, afinal, além de fazer parte das brincadeiras, é também a “mola propulsora” da Literatura Infantil, pois é a partir da imaginação que a criança dá sentido à narrativa!

Então... Vamos começar?

As brincadeiras de “faz de conta” configuram-se como um instrumento valioso para o desenvolvimento da capacidade imaginativa da criança, possibilitando a construção de novos saberes e do conhecimento de si e do outro. Pois desafiam os pequenos a compreenderem e descobrirem a realidade em que estão inseridos.

Mas como isso acontece?

O “faz de conta” nada mais é do que a imaginação despertada de maneira natural, à medida em que as crianças começam, por exemplo, a imitarem as atividades dos adultos... Quem nunca calçou, quando criança, o sapato da mãe ou do pai?

De forma agradável e significativa esse tal de “faz de conta” proporciona situações que instigam as capacidades cognitivas dos pequenos. É “fazendo de conta” que eles aprendem a atuar, a ter iniciativa e desenvolvem a curiosidade, a criatividade e a autonomia.

As brincadeiras de “faz de conta” permitem à criança demonstrar alegrias e sentimentos que a fazem bem. Propiciam ainda que venham à tona: anseios, angústias, conflitos e tristezas, ou seja, fatos que lhe incomodam, pois muitas vezes, durante essas situações lúdicas, ela expressa o que sente e/ou sofre passivamente.

Você já percebeu o quanto seu filho, aluno ou sobrinho fica feliz ao participar dessa ou daquela brincadeira? Ou como se irrita com facilidade quando algo lhe desagrada durante a brincadeira?

Observar as crianças brincando pode ser uma grande oportunidade para entendermos seus pensamentos e atitudes, para que assim aprendamos a lidar com elas.

Você já parou para pensar nisso?

Nós adultos precisamos ter sensibilidade para perceber e respeitar as reações das crianças durante as brincadeiras, pois enquanto brincam, os pequenos recordam os acontecimentos que vivenciaram ativamente, dando a estes uma resposta, um significado, e vão, pouco a pouco, construindo a sua própria concepção de mundo.

Por isso, garantir espaços e momentos para que as crianças brinquem é nosso dever! Não é verdade?

Antes de concluir é importante ainda ressaltar que: a brincadeira de “faz de conta” é permeada por coisas que “saem” da imaginação da criança, e que, apesar de não serem verdadeiras, também não são mentiras, pois demonstram a forma como a criança pensa e vê o mundo. Ao ouvir a história da Cinderela, por exemplo, a criança pode se identificar com a princesa ou com o príncipe pelo simples fato de fazer parte da realeza ou por sentir-se angustiada e sozinha como os personagens no decorrer da história!

Assim, durante uma brincadeira a criança pequena pode expressar verdadeiramente situações boas ou ruins vivenciadas em seu cotidiano, uma vez que tais pensamentos e atitudes vieram do mundo real e foram para o universo do “faz-de-conta”, interessante, não?

Para você, isso parece complicado?

Se sim, basta observar uma criança brincando e você descobrirá que tudo isso é muito, muito, muito simples... Pois estará vendo na prática como tudo acontece... Experimente...

De repente um pedacinho de pau virou um carrinho; a boneca chora como um verdadeiro bebê; brincar de casinha significa ser pai, mãe, irmã, avô; ouvir a história de Alice no País das Maravilhas representa viajar para outros mundos... E assim vai a imaginação de nossas crianças... o desenvolvimento das nossas crianças... Estão simplesmente preparando para viver em sociedade de maneira autônoma e participativa.

E então? Vamos fazer de conta?

Até a próxima!
Janayna.

Referências:  BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília, DF: MEC/SEF, v.1, 1998.
- BREJO, J. A. O Lúdico e a Brincadeira na Educação Infantil e Práticas. Santos: UNIMES VIRTUAL, 2007. 150.

 

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