Olá, pessoal!

 

A pipoca se revelou a mim, então,
como um extraordinário objeto poético.
Rubem Alves

Quando falamos em “pipoca”, muitos pensamentos podem vir à nossa cabeça, não é mesmo? Certamente, o primeiro deles é pensar naquela pipoca deliciosa que compramos: do pipoqueiro na saída da escola, no balcão antes de entrarmos no cinema ou no supermercado ao escolhermos o milho da pipoca, para estourar em casa, vendo uma partida de futebol.

E por falar de futebol, nada melhor que uma pipoca quentinha para assistir à Copa do Mundo torcendo para o nosso Brasil!

Mas qual seria a relação entre pipoca e Literatura Infantil? Vocês podem achar que uma coisa não tem nada a ver com a outra. No entanto, nessa nossa conversa, vou provar que tem sim! Pipoca e Literatura fazem um par perfeito. Não a pipoca no sentido de comida, de alimento, mas a pipoca no sentido de pessoa, de ser humano, mesmo.

Xiii... Espero não estar dando um nó na cabeça de vocês... Vamos continuar!

Rubem Alves, um escritor que admiro muito, publicou há alguns anos um livro chamado “O amor que acende a lua”. Um dos capítulos que o compõem chama-se “A pipoca”. Neste texto, o escritor traz uma metáfora entre o milho de pipoca e o ser humano.

Esse autor sempre escreveu de uma forma muito simples, a meu ver, porque relacionava fatos da vida cotidiana aos nossos sentimentos e ações. Foi o que me cativou e me convidou a ler seus livros. Afinal, quando temos a oportunidade de escolher o que iremos ler, essa leitura precisa ser prazerosa. Então, apresento a vocês a minha leitura deleite: os textos desse estimado escritor, que possuem o poder de me fazer viajar, sentir e, principalmente, visualizar o que está escrito.

E é assim que tem que ser para as nossas crianças, quando apresentamos a elas uma história. A narrativa tem que ser capaz de levá-las ao mundo do encantamento, da imaginação, fazendo com que tenham condições de ir além das imagens e das palavras retratadas no livro.

Pois é, a literatura que apresentamos para os nossos pequenos tem que levá-los a relacionar os fatos com as atitudes, para que não somente imaginem os acontecimentos, mas os questionem também.

Por isso, “A pipoca” me fascina! Segundo Rubem Alves, um simples milho mirrado com grãos redondos e duros, de repente, tem a chance de se transformar em uma linda flor branca, que nada mais é que uma deliciosa pipoca.

E como isso acontece?

Para explicar, o autor utiliza-se de uma analogia em que compara o ser humano ao milho de pipoca. Mais ou menos assim: nós, após passarmos por uma grande dificuldade ou por uma grande alegria na vida, temos a oportunidade de deixarmos de ser milhos duros e nos transformarmos em pipocas.
Isso porque, quando enfrentamos um problema ou temos um momento de extrema alegria em nossas vidas, passamos pelo “fogo”, que tem o poder de nos trazer a mudança. Da mesma forma como o milho duro, que, após passar por uma temperatura de muito calor, transforma-se em pipoca.

E é assim que a Literatura Infantil deve ser para as nossas crianças, capaz de transformá-las em lindas flores brancas. Pois é a partir da alegria e da magia, ou das perdas e das tristezas de um personagem de determinada história, que nossos pequenos, pouco a pouco, irão adquirir conhecimento do mundo para lidar com as situações da vida cotidiana.

Mas e se, de repente, ao invés de nos transformarmos em pipocas, virarmos piruás? Conhecem essa palavra? Piruá significa aquele milho que não estoura e que acaba ficando no fundo da panela. Imagino que todos nós desejemos nos transformar em uma flor branca e não em um piruá, não é mesmo? Nesse contexto, o piruá pode ser visto como uma pessoa resistente às mudanças que a vida nos proporciona. E isso acaba sendo uma escolha de cada um, ser pipoca ou ser piruá.

No entanto, a receita aqui é como transformar as nossas crianças em lindas pipocas. Então, aí vão os ingredientes:

- Escolha um bom livro de literatura infantil
- Fale sobre o autor, sobre o ilustrador e sobre a editora
- Demonstre bastante alegria e entusiasmo

Já o modo de fazer é com você! Conte a história com alegria, com entonação, e sobretudo, com o coração. Quando terminar de ler converse com sua criança sobre os ensinamentos que o texto traz. Tenho certeza que, ao final desse momento, você não encontrará um piruá, mas verá em sua frente uma linda e radiante pipoca!

Vou ficando por aqui.

 

Um forte abraço e até a próxima!

Janayna

 

Referências: 

 

ALVES, Rubem. A pipoca. In: O amor que acende a Lua. Campinas: Papirus editora, 2003. 

Também disponível em < http://www.institutorubemalves.org.br/rubem-alves/carpe-diem/cronicas/a-pipoca/> Acesso em 11 jun. 2018.

 

 

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