Olá, pessoal!

Vocês devem se lembrar que no encontro anterior, falamos um pouco sobre a leitura e a sua poderosa capacidade de ampliar a nossa visão de mundo, haja vista que ela abre as portas para o conhecimento de novas palavras, novos personagens, novas histórias, novas culturas e novos horizontes.

Pensando sobre isso, senti a necessidade de enriquecer ainda mais o nosso diálogo. Resolvi contar para vocês um pouquinho sobre a história da leitura, utilizando como norte um texto de que gosto muito, chamado “Diferentes formas de ler”, de Márcia Abreu. Nesse livro, ela conta como eram os hábitos de leitura séculos atrás.

Perigo para a saúde

Vocês sabiam que a leitura no passado era considerada, para algumas pessoas, como um verdadeiro perigo para a saúde?

Parece loucura, não é? Mas em meados do século XVIII, o ato de ler com frequência não era bem visto, pois tal atividade poderia ser prejudicial: aos olhos, cansando as vistas; ao estômago, ocasionando a perda de apetite; ao cérebro, na medida em que ao trabalhar as ideias, aguça-se a imaginação e tal esforço poderia levar ao esgotamento do corpo. E sabem qual seria a solução para esses perigos? Ler bem pouco! Bem pouco...

Imaginem... Era exatamente o contrário do que fazemos hoje, principalmente se considerarmos que temos o papel de incentivar a leitura junto às crianças. Daí, quanto maior o número de livros lidos, melhor para trabalhar o cérebro, para desenvolver a cognição e para aumentar nossa capacidade de entender o mundo dentro dos seus diferentes contextos, culturas e situações.

Ler em silêncio: indício de loucura

Outra questão interessante é o hábito de ler em silêncio, com a “língua parada”, solitariamente. Isso lhes parece normal, não é mesmo? Acreditem, nem sempre foi assim... Esse costume praticamente não existia entre o século XVIII e meados do século XIX. Nesse sentido, o que hoje chamamos de “leitura silenciosa” era considerada como uma prática em contradição com as leis da natureza. Dizendo de outra forma, as pessoas que a realizassem poderiam ser, facilmente, tomadas como loucas.

Naquela época, dava-se destaque à leitura oral que, muitas vezes, confundia-se com a própria fala. Era costume realizar leituras em voz alta, pois para aqueles que não sabiam ler, tal prática lhes oferecia a oportunidade de ter contato com o texto escrito, por meio da voz de uma outra pessoa.

Para as mulheres, apenas entretenimento

No que se refere ao tipo de leitura praticada por homens e mulheres, aos homens cultos era dado o direito de ler qualquer tipo de literatura, já às mulheres... Adivinhem! Não era aconselhado que lessem nada além de textos de entretenimento. Uma mulher que lesse um romance ou uma novela, por exemplo, não era bem vista pela sociedade da época.

Como podemos perceber, as concepções de leitura e os hábitos de ler mudaram muito com o passar dos tempos. Ufa! Ainda bem!

A leitura contemporânea é vista como prazerosa, como transformadora e até mesmo como forma de ascensão social. Homens e mulheres leem jornais, revistas, panfletos, folhetos, “best sellers”, livros técnicos, literatura infantil, juvenil, entre outros... Ambos podem escolher o que desejam ler, diante da diversidade de textos que lhes são apresentadas.

O importante é termos discernimento para escolher um tipo de leitura que nos faça crescer enquanto ser humano e também enquanto mães, pais e profissionais que somos.

Podemos ler na escola, na praça, na rua, no ônibus, no carro, em casa e até embaixo de uma árvore, isto é, onde nos sentirmos bem. Lemos em silêncio/sozinhos ou em voz alta: durante uma palestra, uma apresentação de trabalho ou para uma criança. Lemos para aprender, para evoluir, para distrair e até mesmo para descansar.

Vejam que maravilha é o ato de ler atualmente: nos possibilita ampliar olhares, viajar, imaginar, aprender, conhecer, questionar... A leitura ajuda-nos a crescer enquanto pessoas e a olhar o mundo de forma crítica.

E nós, adultos, podemos fazer a diferença na vida literária de nossas crianças? Mas é claro que sim! Temos a chance de ser a “mola propulsora” para que os pequenos apreciem o universo da leitura.

Que tal então, fazer esse exercício hoje?

Primeiro, escolha um livro de literatura infantil bem bacana, depois um lugar bastante aconchegante. Agora, o mais importante: convide seu filho, sua filha, seu sobrinho, sua neta para ouvir a história que você vai contar.

Vamos lá? Será emocionante! Espero que tenham gostado do nosso bate papo de hoje!

Até a próxima!

Janayna.

 

Referências: ABREU, Márcia. Diferentes formas de ler. Disponível AQUI.

 

 

 

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