“Meu bom senhor, aprendei que todo o bajulador vive às custas daquele que o escuta.” - La Fontaine (1621 - 1695)

 

Olá, pessoal!

Que tal aumentar um ponto com sua filha, seu sobrinho, sua neta ou seus alunos? Sabe como podemos fazer isso? Contando uma história de maneira diferente e divertida, é claro!

“Quem conta um conto aumenta um ponto” é um ditado popular muito utilizado em nosso dia a dia, não é mesmo?

Normalmente, utilizamos essa expressão para contar um fato que aconteceu. E, como cada um de nós tem a sua maneira de falar, acabamos por exagerar um pouquinho e, assim, aumentamos a história ou até mesmo acrescentamos um fato que não fazia parte dela. Isso acontece naturalmente e, muitas vezes, nem conseguimos perceber.

Em nossa conversa de hoje, vamos trabalhar o significado desse ditado popular, pensando em nosso papel de formadores de leitores e na importância de contarmos uma história com expressão, com entonação e com entusiasmo. É desta maneira que aumentamos um ponto, isto é, quando relatamos uma narrativa e acrescentando pormenores nossos, uma vez que cada um tem a sua forma de interpretar, de imaginar e de contar.

Para isso, vou lhes apresentar um intrigante conto popular e, logo depois, convido vocês a contá-lo, sem a ajuda do texto escrito, para uma criança. Neste desafio, vale usar apenas a memória e a criatividade. Mesmo porque, ao contarmos uma história, nem sempre precisaremos fazer uso do livro. Não é mesmo?

Para despertar o interesse das crianças pelas histórias é importante desenvolver diferentes maneiras de contá-las. Vamos então, com a voz e com os gestos, dar vida aos personagens? Aceitam o desafio?

 

Fábulas trazem lições de vida

Mas antes disso, é necessário que eu lhes apresente o conto, que na verdade é uma fábula, ou seja, um gênero textual cuja proposta principal é apresentar um valor, uma moral, um modelo de comportamento, ou até mesmo, uma lição de vida para os ouvintes. As fábulas são narrativas que geralmente têm como personagens animais, objetos, forças da natureza ou elementos do reino vegetal e mineral que falam, pensam e sentem como os seres humanos.

 

O corvo e a raposa

Nossa história chama-se o “Corvo e a Raposa” e seu autor é La Fontaine (1621-1695).

O senhor corvo, numa árvore empoleirado, segurava no seu bico um queijo. A senhora Raposa, pelo odor atraída, dirigiu-lhe mais ou menos com estas palavras: “Olá! bom-dia, senhor corvo. Como sois bonito! Como me pareceis belo! Sem mentir, se o vosso gorjeio for semelhante à vossa plumagem, vós sois a fénix dos habitantes destes bosques”.

Com estas palavras o corvo não cabe em si de contente. E para mostrar a sua bela voz, ele abre o grande bico e deixa cair a sua presa.

A raposa apodera-se dela e diz: "Meu bom senhor, aprendei que todo o bajulador vive às custas daquele que o escuta: esta lição vale bem um queijo, sem dúvida." O corvo, envergonhado e confuso, jurou, mas um pouco tarde, que não o apanhariam mais.

E assim termina o conto... O que acharam? Interessante? Impactante?

Conseguiram perceber que é possível contar essa fábula, tranquilamente, sem a ajuda do texto escrito?

Para isto, basta memorizá-la e depois dramatizá-la utilizando entonações diferentes de voz para cada um dos personagens. Se quiser, vale também imitar com expressões corporais e gestos faciais o corvo e a raposa. Tenho certeza que as crianças irão adorar!

Após a contação, o ideal é conversar com nossos pequenos sobre o que a história ensina. Para isso, existem várias possibilidades que elas ou nós podemos levantar, tais como:  a raposa seduziu o corvo com seus elogios e saiu ganhando, ou mesmo tendo perdido o queijo, podemos dizer que o corvo também ganhou, embora de maneira sofrida, uma vez que teve a oportunidade de aprender que deve estar atento para discernir entre o que é verdadeiro ou falso?

A verdade é que tudo depende de uma boa conversa após as contações de histórias. Afinal, é contando histórias e dialogando com as nossas crianças que “aumentaremos nossos pontos” ...

 

Um forte abraço e até a próxima!

Janayna

 

Referências: Site La Fontaine. Disponível AQUI.

 

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