“Essa pandemia nos oferece a chance de olharmos para o mundo de outra forma, nos dando a oportunidade de agirmos diferente da maneira como fazíamos antes”.

 

Olá pessoal!

            De repente, já estamos no mês de agosto e muitos de nós não imaginávamos ainda estar confinados em casa diante dessa pandemia, não é mesmo?

            Parece que o tempo que vivemos de março até aqui deu um salto tão grande que sequer percebemos que já se passaram tantos e tantos dias...

            E o que fazer com isso? Com essa “imposição” de um isolamento que atinge, de certo modo, a todos, incluindo até mesmo aqueles que trabalham na linha de frente dos hospitais lutando para salvar vidas. Também esses “heróis sem capa” vivem as consequências do isolamento, por serem obrigados a ter a precaução de não abraçar um pai, uma mãe, um filho, uma avó, um tio para que não corram o risco, caso estejam contaminados, de passar a doença ao parente querido(a). Como sabemos, muitos deles precisam ficar reclusos em um quarto de sua própria casa quando chegam do trabalho, ou até mesmo precisam morar provisionalmente em outro local, para protegerem a família...

            Tomei como exemplo os profissionais da saúde, para que possamos observar que ninguém ficou totalmente isento das consequências dessa pandemia, seja esse pertencente a classe alta, média ou baixa, todos vivenciam, cada um ao seu modo, as adversidades trazidas por esse “tal” de Coronavírus. Digo “tal” porque embora muitas pesquisas estejam sendo realizadas para saber mais sobre a “fúria” desse vírus, não o conhecemos direito, nem tão pouco sabemos realmente o que ele é capaz de fazer com a vida das pessoas...

Escrevo este texto porque penso que após todo esse tempo de pandemia, chegou a hora de olharmos além de nós e pensarmos no outro. Sabem para quê? Para não darmos vazão ao descontentamento, à falta de otimismo e de esperança... Mesmo porque, teríamos motivos suficientes para justificar sentimentos negativos. Não acham?

Convido vocês então, a olharem para as suas vidas e a pensarem nas diferentes situações e possibilidades que outras pessoas vivenciam nesse momento...

Enquanto alguns de nós está trabalhando em casa e ao mesmo tempo consegue dar assistência ao filho(a) que vive a experiência do ensino remoto... Outros(as) , que estão “logo ali” passam por situações muito mais difíceis:  uma mãe desempregada com a filha que além de não ter acesso à internet não recebeu nenhum material para dar sequência aos seus estudos; Um pai que precisa trabalhar para não perder o emprego, mas não tem com quem deixar os(as) filhos(as) já que as portas das escolas estão fechadas; Ou pior, tem também aquele(a) que perdeu a mãe, o pai, a filha, o avó ou a tia vítima dessa doença que foi capaz de deixar o mundo muito diferente do que era antes.

MAS COMO ASSIM, DIFERENTE?

Me reportando ao título desse texto, arrisco afirmar que “tudo está diferente mas não necessariamente pior”, pois essa pandemia nos oferece a chance de olharmos para o mundo de outra forma, nos dando a oportunidade de agirmos diferente da maneira como fazíamos antes...  

Assim, essa pandemia nos instigou a desenvolver novos olhares e a fazer uma viagem para dentro de nós: revendo opiniões, atitudes e comportamentos. Tivemos também a possibilidade de fazer uma receita na cozinha, de transformar a sala em uma academia de ginástica, de assistir uma série na TV que nunca tivemos tempo, de brincar de guerra de travesseiros com as crianças, de ligar para uma amiga com quem você não conversava há anos, de ler um livro, de contar uma história e, principalmente, de parar um minuto para pensar nos outros, isto é, naqueles que podem estar em uma situação pior que a sua, mas que ainda assim, conseguem sorrir...

Boaventura de Souza Santos, filósofo português, em um dos trechos de seu pequeno livro "A cruel pedagogia do vírus", escreve que, a partir da quarentena, foi:

[...] possível ficar em casa e voltar a ter tempo para ler um livro e passar mais tempo com os filhos, consumir menos, dispensar o vício de passar o tempo nos centros comerciais, olhando para o que está à venda e esquecendo tudo o que se quer mas que só se pode obter por outros meios que não a compra” (SANTOS, 2020, p.6).

 

Para mim, isso significa que esse estado de quarentena nos traz um grande ensinamento: de que é possível ser livre mesmo estando confinado... No entanto, esse sentimento de liberdade depende de nossos próprios pensamentos e atitudes, ou seja, se eles estão voltados para o que realmente importa, isto é, para o que realmente faz sentido em nossas vidas ou se estão direcionados para ilusões as quais só se pode ter acesso saindo de casa.

Mas entendam, não estou aqui querendo dizer que ficar em isolamento é bom, ou que não sair de casa pode ser algo normal, pelo contrário, o que mais desejo é que possamos novamente conviver com as pessoas, realizar nossos passeios, enfim, voltar às nossas rotinas sem restrições de ir e vir... No entanto, eu gostaria de ressaltar que: embora estejamos em quarentena, podemos recuperar o fôlego na busca de pensamentos altruístas que nos levem à liberdade, mesmo antes de ela chegar... e vai chegar...seja como um milagre, seja como consequência de nossas ações...

Com um abraço de otimismo e esperança.

Até a próxima.

Janayna.

 

Referências

SANTOS, B. S. A cruel pedagogia do vírus. Coimbra: Almedina, 2020. E-book.

 

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4 comentários

  • Obrigada Juliana,

    Seus comentários contribuem bastante, principalmente, ajudam a pensar nos próximos textos!
    Afinal, este deve ser um momento de união e de compartilhamento de ideias…
    Grande abraço!

  • Bela reflexão… Esse período de isolamento permitiu um encontro verdadeiro de nós, conosco mesmos… sem os subterfúgios do consumo, do trabalho exaustivo ou de quaisquer outras formas de fuga cotidiana. Momento de nos olharmos verdadeiramente, e enxergar as nossas faltas, limitações e frustrações. Mas tbm a possiblidades de novos olhares, projetos e significados… Gratidão por esta experiência e resiliência para esperar até q tudo passe.

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